FAMÍLIAS DIVIDIDAS POR CAUSA DA VACINA - OLHAR CONSERVADOR

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

FAMÍLIAS DIVIDIDAS POR CAUSA DA VACINA





por Delmo Fonseca


A sabedoria de Salomão servirá de chave interpretativa para  a abordagem de um tema caro aos operadores do Direito. Trata-se de uma ação análoga à Alienação Parental, porém em nível global.   Digo análoga porque o establishment resolveu incitar as crianças e adolescentes a se rebelarem contra seus pais caso estes venham adotar uma postura contrária às determinações estatais no que tange à vacinação contra o COVID-19. Por estas plagas a Lei 12.318/2010, que versa sobre a Alienação Parenteral, assim o define em seu artigo 2: "[...] ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.” E como o establishment tem agido senão induzindo  filhos a repudiarem seus pais? 

Com o lema “Vacina salva vidas!”, todo o aparato midiático vem vocalizando a falsa ideia de que não somente os infantes mas todos só estarão  seguros quando abrirem mão de suas liberdades em prol de um bem comum, qual seja, a  saúde coletiva. Benjamin Franklin, um dos “Pais Fundadores” dos Estados Unidos, numa de suas notas propositivas à Assembléia  da Pensilvânia em 17 de fevereiro de 1775, vaticinou que "aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”. E esse é o dilema pelo qual o mundo passa: em nome de uma suposta segurança coletiva restringe-se “temporariamente" as liberdades individuais. Mas a história é pródiga em demonstrar que alguns caminhos não têm volta.  E se a segurança deve ser  coletiva, o medo não pode ser individual, pensam eles. Para isso todas as forças desejosas desse bem comum se aglutinam; desde intelectuais, cientistas, professores, estudantes, médicos, juízes, advogados, comunicadores, políticos, empresários, sindicalistas até a maior parte dos cidadãos comuns, isto é, todos os que foram atraídos pelo discurso progressista, o novo "canto das sereias". Faltava, no entanto, a adesão dos mais jovens, o que a grande mídia e os professores esquerdistas se encarregaram de fazer. 

Outro fato que também impressiona é que esse “canto de sereia” progressista tem se reverberado por muitos lares, gerando  polarizações não apenas entre filhos e pais, mas entre os próprios cônjuges. Há inúmeros casos em que a harmonia familiar fora quebrada devido a divergência entre marido vacinado e esposa não vacinada e vice-versa. Por que uma pequena parcela ainda resiste a esse canto? Uma resposta eficaz exige que se retorne à  Odisseia, uma narrativa mitológica do general Ulisses de Ítaca. Este, quando voltava vitorioso  da Guerra de Tróia, quis ouvir o canto das sereias. O herói sabia que era impossível resistir à melodia sedutora daquelas musas que atraiam marinheiros completamente rendidos e os devoravam. Ulisses sabia do perigo que corriam e ordenou que os ouvidos de toda a tripulação fossem vedados com cera. Ele, por sua vez, preferiu ser amarrado ao mastro do próprio navio. Quando as sereias surgiram, logo buscaram uma maneira de fazer com que ele se aproximasse, gerando no herói um desejo desesperado por sua soltura. A tripulação não ouviu as ordens de Ulisses que implorava para ser desamarrado a fim de  estar com as musas. Com o tempo o navio foi se distanciando e as vozes outrora sedutoras já não mais podiam ser ouvidas. Quando se traça um paralelo com a atual conjuntura político-cultural, vê-se que a grande maioria tem sido atraída pelo canto das sereias progressistas. A resistência de uns se deve à cera que veda seus ouvidos da grande mídia; outros, ao conhecimento das artimanhas do establishment.  Diferentemente do navio que se afastou da ilha das sereias, os que ainda resistem sabem que a elite dominadora busca fechar o cerco com ameaças de todo o tipo: perda de direitos fundamentais, demissões trabalhistas, restrição de espaços públicos e até prisão. No último dia 21 de janeiro, por  exemplo, uma menina de 9 anos foi presa no Museu de História Natural de Nova York por se recusar a mostrar seu cartão  de vacina COVID, como noticiou o Daily Mail. 

O que muitos desconhecem é que esta prática truculenta já fora sugerida pelos próprios intelectuais progressistas, como o filósofo esloveno Slavoj Žižek, que em março de 2020 publicou um artigo intitulado “Monitorar e punir? Sim, por favor!”.  No que pese sua bagagem filosófica, Žižek se revelou mais um dos tantos canalhas que fazem da hipocrisia um alimento diário. Esses intelectuais são os mentores, os formuladores de uma nova cosmovisão que exclui todo e qualquer pensamento divergente. O menor sinal de oposição às suas narrativas desencadeia uma miriade de idiotas úteis. Os mesmos que se orgulham de estar do lado certo da história por terem tomado todas as doses recomendadas de uma vacina em fase experimental. 

E por que no início desse texto foi pontuado que sua abordagem teria a sabedoria de Salomão como chave interpretativa da realidade na qual estamos mergulhados? É que para o Rei Sábio - embora a perspectiva linear do tempo tenha nascido com a tradição judaico-cristã-, há uma ideia de ciclos históricos repetitivos: "O que foi voltará a ser, o que aconteceu, ocorrerá de novo, o que foi feito se fará outra vez; não existe nada de novo debaixo do sol” (Ec 1.9). A alusão a esta visão do Qoheleth” (título original hebraico, que significa pregador”, sendo traduzido para o termo grego Eclesiastes”), nos ajuda a situar como a dissolução da família é um tema que sempre retorna com nova roupagem conceitual. 

Para não nos distanciarmos tanto dos fatos, observemos o que Karl Marx diz sobre a família no segundo capítulo do famigerado “Manifesto Comunista” (1848): "Sobre quais fundamentos se assenta a família atual, a família burguesa? Sobre o capital, sobre o proveito privado. Em sua forma completamente desenvolvida, a família tradicional é uma instituição burguesa e existe somente na burguesia”. Marx em nenhum momento esconde seu desprezo pela família tradicional, a ponto de vislumbrar sua dissolução tão logo seja expropriado aquilo que lhe dá sustentação, a propriedade privada: "A família burguesa será naturalmente eliminada com o eliminar deste seu complemento, e ambos desaparecerão com o desaparecimento do capital.”  E uma de suas  análises mais perversas, deliberadamente ocultada por seus discípulos, diz o seguinte: "Abolição da família! Até os mais radicais se assustam com este propósito infame dos comunistas”. Em suma, todo ideólogo socialista compartilha dessa infâmia. Um comentário pormenorizado dessa proposição deve ser feito em outro artigo, pois cabe salientar que a família tal qual Marx e seu parceiro Engels taxaram de burguesa, logo opressora, se defrontaria  com ideólogos cada vez mais cruéis nas décadas seguintes. O comunismo leininista-stalinista-maoista, o fascismo de Mussolini e o socialismo nacionalista de Hitler, cada um à sua maneira, investiram diabolicamente contra esta instituição que mantém a ordem no mundo. E esse é o ponto: os poderosos decidiram que é preciso uma Nova Ordem com valores distintos dos preservados pela família tradicional. Os filhos? Estes devem ser propriedades do Estado. 

Ao partir do pressuposto de que “os fins justificam os meios”, tem-se a impressão de que há em curso uma engenharia social devotada em abolir a família por meio de sua divisão. Conforme o já  adiantado nos primeiros parágrafos, em muitos lares o que prepondera são as brigas internas, em que um dos cônjuges defende a eficácia de uma vacina experimental enquanto o outro opta pela cautela, ainda que este compreenda a verdadeira função de um imunizante que tenha sido validado seguindo um método expressamente cientifico. A divisão familiar é patrocinada pelo Estado e legitimada pelos formadores de opinião, que para além da mídia profissional, encontram-se pulverizados nas redes sociais com o rótulo de influencers. 

Por incrível que pareça essa tentativa de fazer todas as coisas convergirem para um único ponto, nesse caso o Estado, é apenas mais um capítulo de uma história que no início se chamou Babel: Vamos construir uma cidade com uma torre altíssima, que chegue até aos céus;” (Gn 11.4a). O final dessa aventura, no entanto, todos conhecem. Há chance de a família conservadora vencer os progressistas na atual conjuntura? O que diria Salomão? "O que foi voltará a ser, o que aconteceu, ocorrerá de novo, o que foi feito se fará outra vez; não existe nada de novo debaixo do sol” (Ec 1.9).


REFERÊNCIAS: 

BRASIL, Lei nº 12.318, de 26 de agosto de 2010. Site da Presidência da República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12318.htm.>; Acesso em: 25/01/22.


HOMERO Odisséia. São Paulo: Nova Cultural, 2002

MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. Osvaldo Coggiola (org.) SP. Boitempo Editorial. 2007.

https://zeroaesquerda.com.br/index.php/2020/03/17/zizek-monitorar-e-punir-sim-por-favor/; acesso em: 25/01/22.


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