NÃO OLHE PARA CIMA: O MANTRA DOS ESCARNECEDORES - OLHAR CONSERVADOR

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

NÃO OLHE PARA CIMA: O MANTRA DOS ESCARNECEDORES


 por Delmo Fonseca


"Antes de tudo saibam que, nos últimos dias, surgirão escarnecedores zombando e seguindo suas próprias paixões.”

2Pe 3.3


A exemplo de “Queime depois de ler” (2008), dos Irmãos Coen, o filme “Não olhe para cima” (Don’t Look Up), dirigido e produzido por Adam McKay, é uma dessas sátiras cômicas hollywoodianas que, a pretexto de criticar o establishment, acaba por servir de propaganda positiva para os donos do poder. Poderíamos esperar outra coisa da Netflix? Eles sempre zombarão de nós. O enredo de “Não olhe para cima” é, no fundo, um escárnio deliberado por parte dos tecnocratas. Termos da moda como “negacionismo”, “fake news” e “nossos cientistas” traçam um paralelo entre a iminência do fim do mundo aventada no filme e a pandemia que se arrasta para o segundo ano. A atuação do elenco estelar formado por Leonardo DiCaprio, Meryl Streep, Cate BlanchettJennifer Lawrence, Rob Morgan  e Jonah Hill não decepciona, contudo uma crítica da sétima arte não é o objetivo desse texto. 


O filme conta a história de dois astrônomos, Randall Mindy (Leonardo DiCaprio) e Kate Dibiasky (Jennifer Lawrence), que descobrem um cometa orbitando dentro do sistema solar com 100% de chances de colidir com a Terra. Segundo os cálculos, a colisão aconteceria em seis meses, tempo limite para os governantes tomarem providências. Os dois cientistas contam com o auxílio do doutor Oglethorpe (Rob Morgan), que os leva a um périplo midiático e um inusitado encontro com a presidente Janie Orlean (Merly Streep) e seu filho Jason (Jonah Hill). Além da presidente rodeada de escândalos (o que remete ao histórico politico de Joe Biden e seu filho Hunter), a narrativa é entremeada por um bilionário tecnocrata, uma famosa popstar e influencer (Ariana Grande), que se separou do namorado. 


Ao final, depois do diversionismo da mídia, as pessoas se dão conta tardiamente de que a ameaça é real, mas já não resta mais tempo. A moral da história consiste em mostrar que há uma descrença na ciência e por esta razão todos irão sucumbir. Será mesmo? 


O título “Não olhe para cima” é sugestivo por vários motivos. Um deles se refere à manipulação política: há uma inversão de valores em que “negacionista" é aquele que se recusa a seguir o que diz a  grande mídia e os órgãos governamentais. Em comparação ao que vivenciamos hoje, tem-se um apartheid entre os que seguem a mídia profissional e os que apostam em mídias alternativas. A primeira, obviamente, alinha-se à classe política que despreza as liberdades individuais e a metacapitalistas que buscam o monopólio da tecnologia. No filme o personagem Peter Isherwell é uma dessas figuras. Como uma caricatura do cientista Carl Sagan, Peter Isherwell reúne as personalidades dos CEOs Steve Jobs, Elon Musk, Bill Gates, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg. O dono da Bash e financiador de campanhas políticas, além de determinar as decisões da presidente Orlean, consegue abortar um plano em curso para destruição do cometa a fim de explorar recursos minerais que beneficiariam seus negócios. 


Algo muito semelhante aconteceu tão logo fora oficialmente decretada a pandemia de coronavírus. Não se admitiu nenhum tratamento que não fosse o recomendado pela OMS. Numa orquestração diabólica envolvendo grande mídia, Big Pharma, Big Techs, universidades, atores políticos e instituições diversas, o cidadão comum ficou impedido de olhar para qualquer direção que não fosse a apontada por esses órgãos. 


A ciência, nesse contexto, varreu para debaixo do tapete o “método da dúvida” e adotou o dogma, tornando-se uma religião. "Você não crê na ciência?”, interpelam os defensores de “passaporte sanitário” e afins. Como uma espécie de programação  preditiva, “Não olhe para cima” aponta para um futuro com mais manipulação, mais controle, mais zombaria da nossa cara. Como resistir a esses  escarnecedores? Ironicamente a saída consiste em se fazer o oposto, isto é, permanecer com os olhos fitos Naquele que de cima vê todas as coisas. Só assim riremos por último. 

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