ELA DANÇA, EU DANÇO - OLHAR CONSERVADOR

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

ELA DANÇA, EU DANÇO

Listas de questões de História para imprimir - Ensino fundamental e médio



por Delmo Fonseca


Em memória de Marcia Mendes



Por vezes somos levados a concordar com a personagem Macbeth, de Shakespeare, para quem a “a vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem sentido algum”. Pensamentos como esse brotam em meio a tragédias. E nunca sabemos quando a experiência trágica  nos escolherá para a "dança da morte”, como bem retratou Ingmar Bergman numa das cenas mais icônicas de "O Sétimo Selo”. 


Estas palavras saltam de um coração consternado pela perda da esposa amada, que a propósito foi bailarina. Nessas horas o “som e a fúria” da natureza duplicam sua força. De nada vale os tapinhas nas costas e a corriqueira expressão “isso também vai passar”. Ora, ninguém duvida que a poeira do tempo cobre todas as coisas, mas isso não significa apagamento, talvez, esquecimento. Assim escreveu Manuel Bandeira em  “Os Nomes”:


“Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
– Tantos gestos, palavras, silêncios –
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já não nos soa como os outros”.



Na mesma direção Mário Quintana constatou que "morrer é simplesmente esquecer as palavras.” Posto isso, avaliamos que o desafio de quem testemunhou um familiar, amigo ou cônjuge ser convidado a participar da "dança da morte”, é se empenhar para que seu nome não seja coberto pela poeira do tempo. Afinal, todos nós cedo ou tarde também seremos convidados para o baile.

Nenhum comentário:

Postar um comentário