QUEM SÃO OS NEGACIONISTAS? - OLHAR CONSERVADOR

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

QUEM SÃO OS NEGACIONISTAS?

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por Delmo Fonseca


A cada temporada os esquerdistas sacam da cartola ideológica uma palavra que outrora fora usada num outro contexto, a fim de ressignificar e colocar esse vocábulo a serviço do projeto político do momento. Quando a palavra é cortada de sua raiz, inevitavelmente altera-se sua intenção original, o que explica o crescente número de discursos distorcidos empreendidos por intelectuais desonestos. Desse modo tem-se a falácia, que consiste num raciocínio falso com aparência de verdadeiro. E desde Aristóteles, este é o recurso preferencial dos demagogos. A demagogia, que para o filósofo grego não passava de uma degeneração da democracia, se impõe como o regime político que melhor se adequa aos da Esquerda. 


Para Max Weber, "desde que apareceu o Estado Constitucional e, mais completamente, desde que foi instaurada a democracia, o demagogo é a figura típica do chefe político no Ocidente”. A democracia representativa, nos moldes instituído pelo liberalismo, nunca interessou aos esquerdistas; pois supõe alternância de poder, convívio com o contraditório, respeito ao resultado das eleições, à liberdade de expressão etc. Via de regra, esse segmento político tende a carregar a semente do totalitarismo, que ao menor sinal de solo fértil faz brotar novos lenins, stalins, hitleres, maos  e maduros. 


Há de se considerar que um legítimo regime demagógico precisa contar com o auxilio direto da imprensa, pois sua atuação no campo simbólico simula uma realidade paralela e molda a opinião pública. Se, por exemplo, a mídia  mainstream noticiar que os hábitos pré-pandemia só voltarão à normalidade depois da vacina, a massa populacional ansiará com muita expectativa por esse acontecimento. Como a mídia consegue essa proeza? Por meio da falácia, do raciocínio falso com aparência de verdadeiro. E os políticos demagogos, ao seguirem na mesma direção, justificam suas medidas descabidas apelando à ciência, que nos últimos  tempos passou a significar dogma, doutrina de caráter indiscutível. E quem ousa questionar esses dogmas recebe a pecha de “negacionista”. 


A junção demagogia-desonestidade intelectual se arroga detentora do poder simbólico, o que também explica a falsa virtude dos esquerdistas, denominada por  Thomas Sowell  de “tirania da visão”. Negacionista, por exemplo, era um termo aplicado aos que negavam o Holocausto, que diziam que o genocídio dos judeus nos campos de concentração nunca existiu. Um rótulo que, em princípio, se aplicava aos nazistas, hoje se atribui aos conservadores. Na cartilha dos demagogos, fascismo e conservadorismo se equivalem, logo merecem o mesmo tratamento. 


A guerra cultural é travada, principalmente, no campo semântico, onde o significado das palavras se perde quando cortado de suas raízes. E a Esquerda tem ganhado algumas batalhas ao deslocar para o campo político determinados vocábulos que soam verdadeiros quando contextualizados no campo da moral. Por exemplo: o bem e o mal, para o esquerdista, não possuem significados dissociados do ethos revolucionário. O que serve à causa é bom, o que não serve é mau. Dessa forma são ressignificados as noções de família, pátria, propriedade privada, estado, sexo, religião, democracia, ciência etc. Ao supor que uma revolução semântica implica numa mudança factual da realidade, o esquerdismo constrói seu castelo na areia. Mas um antigo adágio nos lembra que “é inútil fechar os olhos à realidade. Se o fizermos, a realidade abrirá nossas pálpebras e nos imporá a sua presença.” 

O negacionismo, como modus operandi político, pertence menos aos conservadores do que aos esquerdistas; pois os primeiros não negam a realidade e, sim, contestam a legitimidade dos ideólogos, desonestos intelectuais,  que pretendem a fórceps forjar um “novo mundo”, “um novo normal”. 


Quando a linguagem é sequestrada surge o caos semiótico, a ausência de lastro para a verdade.  Para a filósofa Hannah Arendt, a verdade está "além de acordo, disputa, opinião ou consentimento. O que a ciência e a busca de conhecimento procuram é a verdade irrefutável, ou seja, proposições que os seres humanos não estão livres para refutar - são coercitivas”.  Isto é, a ciência nos coage a aceitar a verdade quando apresenta provas irrefutáveis. Um exame de DNA, por exemplo, dá provas incontestes de que o pai de José é João e não Pedro. Porém, o que os demagogos querem é uma confissão de fé em suas falácias, o que os aproxima de líderes charlatões. Por isso forjam narrativas, corrompem a linguagem e perseguem quem os questiona, censuram e banem adversários com o único propósito de se perpetuarem no poder. Quem, afinal, são os verdadeiros negacionistas?



FONTES:


ARENDT, H. A vida do espírito. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000. 

WEBER, M. A Política como Vocação. In: __. Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S.A, 1982.


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