INSETOS COMESTÍVEIS: ALIMENTO DO FUTURO OU VOLTA AO PASSADO? - OLHAR CONSERVADOR

sábado, 30 de janeiro de 2021

INSETOS COMESTÍVEIS: ALIMENTO DO FUTURO OU VOLTA AO PASSADO?

                                             Dried mealworms on a slice of bread


por Delmo Fonseca


 “Nenhum homem há que não dê  pelo pão e ao pão todo o seu cuidado” -  Padre Antônio Vieira

                                                     

Em tempos de iFood, a comensalidade - convivência à mesa -, tornou-se um artigo de luxo. O ato de se  alimentar, conforme a tradição judaico-cristã, é também uma forma de comunicação entre o homem e o mundo. Até mesmo o termo restaurante (do francês restaurant, restaurador, aquilo que restaura), surgido no século XVI, denota "alimento reconstituinte, revigorador de forças”. Posto isso, qual a relação entre a comensalidade e o desenvolvimento civilizacional? Diferentemente da natureza, que cumpre sua função  ao permitir que todo ser vivo se alimente das mais variadas fontes e formas; a cultura vai além, pois apresenta ao homem a comida como linguagem simbólica, um conjunto de valores que marcam seu lugar no campo social. Se nos primórdios a distinção entre caviar e atum era apenas de ordem quantitativa, hoje há quem cante sobre o segundo: "Nunca vi, nem comi / Eu só ouço falar”. 


A depender de quem se reune à mesa, o encontro pode ser um banquete ou uma simples refeição. Nesse caso, a comida determina o status da reunião. Poderíamos nos estender por mil páginas e ainda assim faltaria espaço para introdução ao tema. No entanto, cabe destacar em poucas linhas a importância da comida em todas as tradições religiosas. O Shabat judaico, por exemplo, tem o seu ritmo determinado por três refeições e suas principais bençãos referem-se ao ato de comer. Em sintonia com essa prática, a comensalidade veio a ser o elemento fundante do cristianismo primitivo. Não se pode negar que o Ocidente, ao herdar estas práticas, atribui à “boa mesa” um valor quase sagrado, haja vista a multiplicação de cursos de gastronomia e programas televisivos como o MasterChef


FAST-FOODS


Embora seja ponto pacifico que o hábito alimentar oscile entre o desejo e a necessidade, pois há quem se esbanje com finos manjares enquanto uma parte considerável da humanidade ingere menos calorias do que o necessário, isto é, encontra-se abaixo do tolerável a que se pode chamar de uma vida digna, podemos constatar que até mesmo o ato de comer está na mira da politização, a exemplo do clima e outros temas. No afã de destruir os fundamentos do Ocidente, erguidos sob os auspícios da cosmovisão cristã, os  engenheiros sociais fazem uso de todos os recursos disponíveis. Se a história demonstra que a comensalidade  torna o ser humano mais sociável, o que exige corpo presente, interromper essa tradição faz parte do plano que visa a implementação de uma era pós-cristã. Nesse caso, o distanciamento social funciona como uma forma de condicionar as novas gerações a um mundo sem encontros presenciais e convivência à mesa. O processo já foi lento e gradual, a começar pelo advento da televisão, que deslocou a família para o sofá na hora do jantar. Posteriormente, os fast-foods associaram a comida à urgência, a algo que só faz sentido se levar pouco tempo para ser preparado. 


Não bastasse a predominância do alimento industrializado, a despeito de sua função nas sociedades modernas, o próximo passo a ser proposto por esses engenheiros diz respeito à efetivação sistemática da entomofagia, ou seja, o consumo humano de insetos como fonte alimentar. O que justifica a massificação dessa prática antiga se hoje possuímos tecnologia capaz de produzir alimentos em grande escala? Não há uma reposta objetiva para esta questão, pois os interesses são tão difusos, que mesclam defensores da economia verde, veganos, esotéricos e políticos oportunistas. 


Com o argumento falacioso de que o consumo mundial de carne deve dobrar até 2050 e que 70% da terra cultivada já é usada para alimentar rebanhos, os burocratas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) têm dito que uma intensificação ainda maior na pecuária poderá destruir o meio ambiente, consumir grandes quantidades de água e aumentar a quantidade de gases responsáveis pelo efeito estufa. Eles também argumentam que as criações de rebanhos respondem por 18% das emissões desses gases. Em junho de 2019, uma matéria da revista Forbes ostentou o seguinte título: "O uso de insetos na alimentação animal pode reduzir o impacto climático da produção de carne?” Como parte da resposta, o nosso país foi apontado como mau exemplo: "No Brasil, que com safra 2018-2019 de 114 milhões de toneladas é o maior exportador mundial de soja, o desmatamento relacionado à produção de soja foi responsável por cerca de 29% das emissões de gases de efeito estufa do país entre 1990 e 2010. Só para dar mais exemplo tangível, mais do que um campo de futebol da floresta tropical brasileira é cortado a cada hora para produzir ração para gado para a Europa”. Na edição  de abril de 2020, o jornal britânico The Guardian noticiou de forma efusiva: "Insetos comestíveis devem ser aprovados pela UE em 'momento de descoberta’.  Está sendo anunciado como o momento de inovação há muito aguardado na gastronomia europeia para hambúrgueres de larvas de farinha, aperitivos de gafanhoto e granola de críquete. Dentro de algumas semanas, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos é esperada pela indústria de insetos para aprovar larvas de farinha inteiras ou moídas , larvas de farinha, grilos e gafanhotos como sendo seguros para consumo humano”. A guerra comercial, em que se busca impedir o Brasil de produzir proteína animal, visa, entre outros fatores, substituir o prazer da comensalidade pela satisfação de ingerir a quantidade diária de calorias, ainda que o alimento seja um prato de grilos crocantes ou uma porção de farofa de formigas. Assim, cada vez mais o consumo de carne será combatido a fim de que sua produção em escala industrial diminua, se torne mais caro e acessível a poucos. 


FAO E OMS


Desde quando, porém, o homem come insetos e por qual razão?  A história aponta que remonta às era primordiais. Embora com menos frequência no Ocidente, o consumo de insetos sempre fora prática comum em culturas asiáticas e africanas. Na China, por exemplo,  existem lojas especializadas em vender insetos e outras iguarias, vivas, para o deleite do apreciador. Até mesmo no  Levítico, quarto livro do Pentateuco, há recomendações sobre  o tipo de inseto apto para consumo: "Mas isto comereis de todo o inseto que voa, que anda sobre quatro pés: o que tiver pernas sobre os seus pés, para saltar com elas sobre a terra. Deles comereis estes: a locusta segundo a sua espécie, o gafanhoto devorador segundo a sua espécie, o grilo segundo a sua espécie, e o gafanhoto segundo a sua espécie” (Lv 11.21-22). É óbvio que em situações extremas, em que proteínas se tornam escassas, certos alimentos suprem a necessidade. É o caso de  besouros, formigas, grilos e gafanhotos, que segundo alguns biólogos,  aproximam-se da carne vermelha magra ou do peixe assado, em termos de quantidade de aminoácidos e proteínas. 


Longe de ser uma apologia ao consumo de insetos, esse artigo objetiva chamar a atenção  para o fato de que a FAO, a exemplo da OMS, também se empenha em implementar a agenda globalista, de cunho totalitário, há muito idealizada pela Organização da Nações Unidas. Dessa forma, com a cumplicidade da mídia, essas agências internacionais têm suprimido liberdades individuais, censurado seus críticos e fomentado o caos. É certo que uma nova ordem social está caminho, o que sinaliza um distanciamento ainda maior dos valores cristãos. No entanto, cabe a nós resistirmos a toda imposição tirânica, ainda que travestida de boas intenções, como a proposta de substituição do ato de conviver à mesa, com familiares e amigos, por um prato de besouros e larvas fornecidos pelo iFood. O que os progressistas vêm anunciando como a comida do futuro é, na verdade, um passaporte de volta ao passado. 



FONTES:



https://www.forbes.com/sites/davidebanis/2019/06/14/can-using-insects-as-animal-feed-reduce-the-climate-impact-of-meat-production/

https://www.theguardian.com/environment/2020/apr/03/insects-likely-approved-human-consumption-by-eu

http://www.fao.org/documents/card/en/c/7f94e9b2-9479-4c04-8dc6-5dcfeb8199e3/

https://revistapesquisa.fapesp.br/insetos-comestiveis/


https://www.terra.com.br/noticias/mundo/asia/insetos-comestiveis-uma-industria-de-futuro-liderada-pela-tailandia,e6d026bd6e03e608e054eb38cba23e44y6t2ddt5.html


Nenhum comentário:

Postar um comentário