SIM, VAI TER NATAL! - OLHAR CONSERVADOR

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

SIM, VAI TER NATAL!

 

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por Delmo  Fonseca


Na medida em que o "politicamente correto" avança, as liberdades individuais se retraem. E esse fenômeno assume características rizomáticas ao se estender por todas as direções. Não faz muito tempo os “doodles”- versão alternativa da logomarca do Google - do mês de dezembro se destacavam por sua temática natalina, com direito a trenó e luzes pisca-pisca. Atualmente, a empresa se contenta em apenas registrar “festas de final de ano”. A desconstrução  da expressão “feliz natal” remete ao termo “boas festas” difundido ainda no final dos anos 90 nos Estados Unidos. A alegação era de que não se deveria constranger os seguidores de outras religiões que não celebravam o nascimento de Jesus nesta mesma época. Ou seja, os ideólogos do “politicamente correto” já vislumbravam um Natal sem Cristo. 


A tendência de uma ideologia totalitária é suprimir toda e qualquer pluralidade; seja no campo cultural, religioso ou político.  A proibição das celebrações natalinas, que até então era prática corrente dos regimes autocráticos, tornou-se o grande fetiche dos tiranetes que surgiram como efeito colateral do Covid-19. Antes, tinha-se notícia de que arroubos desta natureza eram comuns em países como a Coreia do Norte, que no 24 de dezembro induzia a população a celebrar o nascimento da "Mãe Sagrada da Revolução", a mãe do ex-líder Kim Jong-il, em vez de celebrar o nascimento do Salvador. Na China, a cidade de Wenzhou, na província  Zhejiang, desde 2014 vedou atividades natalinas em escolas e jardins de infância. Em Cuba, para não ficarmos tão distante, o regime comunista proibiu as celebrações   de 1969 a 1998,  tendo fim com a atuação do Papa João Paulo II, que  persuadiu o líder Fidel Castro a declarar o dia de Natal como feriado nacional.


Quando se trata de estados muçulmanos a situação se agrava ainda mais. É o caso de países como a Somália, o Tajiquistão e Brunei, que na lista de proibições constam árvores de Natal, fogos de artifício, ceias e trocas de presentes. A justificativa é que a tradição natalina nada tem a ver com o Islã. Tal argumento só faria sentido se as celebrações fossem feitas pelos partidários de Maomé e não por cristãos que vivem nesses países. Seja por meio do politicamente correto, regimes autoritários ou monopólio religioso, o certo é que o pano de fundo dessa guerra cultural é a supressão da fé cristã, que desde os primórdios incomoda os poderosos deste mundo. O historiador Christopher Dawson, em sua obra “A Formação da Cristandade” (2014), argumenta que “a história do cristianismo é a história de uma intervenção divina na história. (…) Assim, o cristianismo entrou na corrente da história e no processo da cultura. Tornou-se culturalmente criativo, pois mudou a vida humana, e não há nada no pensamento e na ação dos homens  que não tenha sido submetido à sua influência, posto que, ao mesmo tempo, experimentou as limitações e vicissitudes inseparáveis da existência temporal”. Ao atacar o simbolismo do Natal, é o cristianismo que se pretende atingir. Em outras palavras, é Cristo, o pilar do mundo, que se deseja destruir. 


Em nome do multiculturalismo, países europeus passaram a vilipendiar igrejas e apregoar o pós-cristianismo, uma nova era cujos valores se opõem à teologia da cruz. O que a princípio apontava para uma tendência de médio e longo prazo no que diz respeito ao avanço da descristianização do ocidente, com o advento da pandemia esse fenômeno se impôs de maneira acelerada, o que atende aos interesses da ideologia do homem unidimensional. O argumento sanitarista tem norteado todas as ações que visam ao controle social, daí se valer deste estratagema e determinar que famílias se abstenham de celebrar o Natal. Observa-se que num piscar de olhos até mesmo uma tradição milenar se tornou uma concessão do Estado, que se arroga o direito de vigiar e punir quem fugir à regra. O perigo de contaminação existe? Obviamente. Mas a questão de fundo é: os governantes estão realmente preocupados com o bem estar da população ou apenas  aproveitando a oportunidade para solapar definitivamente as garantia individuais? Slavoj Žižek, filósofo esloveno, ao anunciar seu entusiasmo face à possibilidade de uma nova ordem social, comentou: "Do ponto de vista vitalista cínico, seria tentador ver o coronavírus como uma infecção benéfica, que permite à humanidade livrar-se dos velhos, fracos e doentes, como arrancar uma erva podre e, assim, contribuir para a saúde global. A ampla abordagem comunista que estou defendendo é a única maneira de realmente deixarmos para trás um ponto de vista vitalista tão primitivo.” Qual a relação dessa fala com o que está sendo abordado desde as primeiras linhas? Constata-se que os inimigos da cruz não medem esforços para destruir o Ocidente, a  civilização forjada na moral cristã. 


Os especialistas continuarão investindo contra as famílias, insistirão no fechamento de igrejas e no distanciamento entre as pessoas.  Em outras palavras, exigirão fé cega na religião civil do Estado. Para isso investem de autoridade sacerdotal um séquito de higienistas versados no pânico, com o objetivo de fomentar a servidão voluntária. No entanto, uma sociedade desenvolvida sob os auspícios da cristianismo sabe o que é resistir, pois é por meio da Igreja de Cristo que Deus intervém na história. E enquanto Ele quiser vai ter natal. 

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