OS REVOLUCIONÁRIOS NÃO PREVALECERÃO - OLHAR CONSERVADOR

terça-feira, 20 de outubro de 2020

OS REVOLUCIONÁRIOS NÃO PREVALECERÃO



por Delmo Fonseca


Nas linhas que se seguem pretendo esboçar apenas um trecho do livro “A fé revolucionária: sua  história de origem” (2020), do autor americano James H. Billington, 13º bibliotecário do Congresso. A parte analisada ocupa não mais do que duas páginas num volume com oitocentas e quarenta. O recorte que nos interessa diz respeito à relação fogo/revolução. O texto é uma chave de interpretação da atualidade, principalmente porque estamos testemunhando o tratamento que as igrejas vêm recebendo no Chile nesse momento. Os progressistas preferem o inferno ao céu, a fé dos demônios a dos santos. Segundo Billington: “O coração da fé  revolucionária, como de qualquer outra fé, é feito de fogo: materiais ordinários transfundidos em forma extraordinária, picos de calor a alterar subitamente a qualidade da substância. Se não sabemos o que o fogo é, sabemos o que faz. Ele queima. Ele destrói a vida; mas também se firma como fonte de calor, luz e - acima de tudo -  fascinação. O homem, que trabalha o fogo na condição de homo faber, também está condenado em sua liberdade a brincar com ele na condição de homo ludens” (p.13).


MÍDIA COMPLACENTE 


E o que estamos a assistir no tempo presente? Homens, com a anuência da grande mídia, ”brincando” de incendiar igrejas. A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), de Portugal, alerta que “aproximadamente 3 mil igrejas, escolas, cemitérios e monumentos cristãos foram vandalizados, queimados, saqueados ou profanados na Europa durante 2019 – mais de cinco por dia, um ano recorde para a hostilidade anticristã no continente”.  Nesse contexto, somente na França, em 10 meses, 10 monumentos  foram queimados em 2019, incluindo a Catedral de Notre-Dame. O que os meios de comunicação diriam se nesse mesmo período uma só mesquita fosse intencionalmente incendiada? 


O FOGO REVOLUCIONÁRIO 


Ainda sobre a  relação fogo/revolução, prossegue Bullington: “A revolução industrial permitiu que os homens atrelassem fogo às máquinas - e descarregassem poder de fogo uns nos outros - com uma força jamais sonhada em épocas passadas. Em meio a esses fogos surgiu a chama mais elusiva que Dostoiévski descreveu na mais penetrante obra de ficção já escrita sobre o movimento revolucionário: Os demônios. Ele descreveu uma cidade provinciana estagnada (tranquila?) que foi subitamente inspirada (infectada?) por novas ideias. Pouco depois de uma noite literária turbulenta, irrompeu um misterioso incêndio; e o oficial da localidade gritou em meio à confusão noturna: 'O fogo está nas mentes dos homens, não nos topos dos prédios'” (p.13).  Eis o "fogo revolucionário". Ao que parece, esse fogo tem aumentado suas chamas desde que o general Claude-François Malet (1841), que numa conspiração antinapoleônica, ridicularizado por tentar usar como alavanca algo que não passava de um palito de fósforo, respondeu aos críticos: “Tendo-se um fósforo, não é necessário uma alavanca; não se ergue o mundo, toca-se fogo nele”(p.14). 


James Bullington também comenta que “o principal responsável por levar a conspiração até a Itália logo observou que a 'chama italiana’ havia levado ‘o fogo da liberdade até a friíssima terra de São Petersburgo’. Lá, a primeira revolução russa ocorreu em dezembro de 1825. Seu lema, ‘da faísca nasce a chama!’, foi criado pelo primeiro homem a vaticinar uma revolução social igualitária no século XVIII (Sylvain Marechal) e revitalizado pelo primeiro homem a realizar uma revolução como essa no século XX - Lênin, que o utilizava como epígrafe de seu jornal, A Faísca” (p.14).  

 

O FOGO DOS CRISTÃOS 


Quando traçamos um paralelo entre as intenções de Lênin com seu jornal A Faísca e a mídia atual, percebemos que o ideal incendiário permanece o mesmo. E por que começar pelas igrejas? Os templos cristãos são agências da Cidade de Deus, são a parte visível da Igreja Invisível. E os demônios sabem que por meio da Igreja de Cristo a vontade de Deus se manifesta aos homens. Há mais de dois mil anos esta igreja sofre perseguições e o fogo sempre esteve presente, a começar por Nero, que ao incendiar Roma imputou aos cristãos tamanha perversidade.  Como acentuou Bullington, "se não sabemos o que o fogo é, sabemos o que faz”. Quando o cristão se refere ao Espírito como fogo, ainda que não saiba conceituá-lo, conhece sua função. E dessa forma nos consola o apóstolo Pedro:  "Amados, não vos assusteis com a provação que surge entre vós, como fogo ardente, com o objetivo de provar a vossa fé. Não entendais isso como se algo estranho vos estivesse acontecendo. Contudo, alegrai-vos por serdes participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também vos alegreis e exulteis na revelação da sua glória” (1Pe 4.12-13).  


A fé revolucionaria pretende substituir a verdadeira fé, e para isso ataca a igreja de Cristo. Não basta destruir a família, o senso de dignidade individual, os valores morais, que são frutos da igreja. Os demônios, como bem definiu Dostoiévski, querem destruir suas raizes. O mesmo autor russo, que em 1849 passou por uma prova de fogo ao ser exilado na Sibéria, em carta à sua amiga Natália Fonvízinam confessa que compôs para si um credo, um "símbolo de fé” a partir de sua experiência com Cristo: "Esse credo é muito simples: acreditar que não há nada mais belo, mais profundo, mais simpático, mais racional, mais corajoso e perfeito do que Cristo, e não só não há, como eu ainda afirmo com um amor cioso que não pode haver. Além disso, se alguém provasse que Cristo está fora da verdade e se realmente a verdade estivesse fora de Cristo, eu gostaria mais de ficar com Cristo do que com a verdade” (ARBAN, 1949). É por esta e outras razões que as portas do inferno não prevalecerão sobre a igreja. 


REFERÊNCIAS


ARBAN, D. Correspondance de Dostoiévski. Paris: Calman-Lévy, 1949. Tome I.


BILLINGTON, J. H. A fé Revolucionária: sua Origem e História. São Paulo: Vide Editorial, 2020. 


https://agencia.ecclesia.pt/portal/europa-fundacao-pontificia-alerta-para-cerca-de-3-mil-ataques-a-igrejas-e-simbolos-cristaos-em-2019/



 

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