LIBERDADE CAÇA JEITO - OLHAR CONSERVADOR

sábado, 4 de julho de 2020

LIBERDADE CAÇA JEITO



por Delmo Fonseca 

Não, não vamos falar de poesia, mas de liberdade de expressão. A poesia nos emprestará seu método metafórico para afirmarmos que o ser humano, esse que tanto carece de senso de pertencimento, somente se sentirá parte da ordem social por meio da linguagem. E quem detém o poder simbólico, o poder de conferir significado ao que é dito, via de regra busca o controle completo a fim de ter esse poder assegurado.

Quando nos deparamos com legisladores e magistrados empenhados em limitar a fala daqueles que se expressam livremente por das redes sociais, tendo todo o apoio dos maiores conglomerados de mídia, o que se deve aferir dessa “força-tarefa?” Dentre várias respostas possíveis podemos dizer que todo mecanismo de controle social possui seu ponto cego. E para exemplificarmos essa premissa temos o Parler, a nova mídia social conservadora que chegou chegando.

Será que essa nova rede chegaria com tanta força e agregaria em tão pouco tempo a maioria dos conservadores por todo o mundo, se esse fenômeno não fosse uma reação à supressão da liberdade de expressão por parte dos detentores do poder simbólico? Estes são os mesmo que controlam as “minorias” impondo-lhes um vocabulário restrito ao politicamente correto, que rotulam de fascistas quem está fora do seu alcance, quem estabelece agências de checagem para determinar se os fatos correspondem às suas narrativas. A princípio o Parler nos incita a parlar (versão sincopada de parolar, falar muito), pois diferentemente do Twitter, a nova plataforma oferece a possibilidade de digitar até 1000 caracteres em uma única postagem. De certa forma, o mecanismo prestou um grande favor aos conservadores.

Nesse caso, por que a poesia é necessária para entendermos o atual acontecimento? Simplesmente porque a imagem poética nos faz economizar palavras. Em sua obra “Matéria de Poesia” (Ed. Record), o poeta Manoel de Barros assim descreve o movimento da liberdade:

“Quem anda no trilho é trem de ferro
         Sou água que corre entre pedras:
– liberdade caça jeito”

Quando analisamos o último verso, “liberdade caça jeito”, percebemos que a água, por natureza, busca um novo caminho. Assim é a liberdade. O mecanismo ainda não se deu conta de que a liberdade individual é um direito natural, por isso quer impor o coletivismo, o alinhamento compulsório: “Quem anda no trilho é trem de ferro”. Por essa razão podemos inferir que o Parler é a janela que o conservador precisava para continuar exercendo sua liberdade de expressão, afinal “liberdade caça jeito”. 

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