FIM DA DEMOCRACIA: UM NEGÓCIO DA CHINA - OLHAR CONSERVADOR

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

FIM DA DEMOCRACIA: UM NEGÓCIO DA CHINA





por Delmo Fonseca


Para início de conversa é preciso esclarecer aos desavisados que esse texto, a começar pelo título, contém muitas ironias. Em tempos sombrios a própria ironia (eirein), que originalmente tinha o sentido de interrogação fingindo ignorância, pode ser uma ferramenta perigosa nas mãos dos que fingem saber. Por que, de uma hora para outra, o mundo virou de ponta-cabeça? Num primeiro momento pode-se pensar que a resposta está na pandemia do "vírus chinês", sem, contudo, perceber que o grande mal está na cosmovisão do Partido Comunista Chinês (PCCh), ou seja, seu modo de conceber a realidade do mundo.

COM COMUNISTAS NÃO SE BRINCA

Na concepção de mundo do PCCh, liberdade de expressão, liberdade de culto, liberdade de ir e vir e propriedade privada são valores da democracia liberal, logo, incompatíveis com seus propósitos. Se a estratégia dos russos se mostrou falha, ainda é cedo para dizer se os chineses serão bem sucedidos em sua sanha totalitária, embora o modus operandi destes poucos diferencie daqueles. Tendo a sedução como prática corrente, os comunistas sugerem, por meio de propagandas, que o monopólio do bem pertence a eles. Aos outros cabe o “discurso do ódio”. E a antiga pergunta persiste: como o mundo se deixa seduzir por uma ideologia que ao longo da história já assassinou mais de duzentos milhões de pessoas? Não se espante, a propaganda comunista consegue a proeza de convencer que, apesar de tudo, representa a tolerância e o amor pela humanidade, além de ser o melhor caminho para a igualdade e a fraternidade entre os povos.  Com comunistas não se brinca.

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Em que Xi Jinping difere dos líderes russos Lenin e Stalin? Não se engane com o ar circunspecto do atual mandatário do PCCh, pois o ditado popular tem suas razões: as aparências enganam. Xi Jinping reza a cartilha de Mao Tse Tung, que por sua vez se diferenciou dos russos na leitura do materialismo dialético de Marx. É sabido que a cosmovisão materialista se contrapõe à visão que fundou as bases da civilização ocidental, que de forma assombrosa está sendo cada vez mais rechaçada pelos próprios ocidentais. Sim, a cosmovisão cristã, desde o Iluminismo, sofre pesados ataques, o que abriu flancos para a horda de niilistas e amantes de todos os tipos de ideologias totalitárias. E o comunismo é apenas uma face desse poliedro ideopata.

OS COMUNISTAS E OS OUTROS

Os comunistas conseguiram seduzir meio mundo com sua dialética materialista, de modo que parte do pensamento religioso buscou se adaptar a esse método. Para Lenin, tal método “constitui a essência, a alma viva do marxismo, uma análise concreta de uma situação concreta”. Stalin, seu sucessor, afirmou que “o materialismo dialético é a visão mundial do partido marxista-leninista”. Se nem mesmo a religião cristã conseguiu resistir à sedução do materialismo dialético (vide Teologia da Libertação), o que dizer das ciências humanas? Os comunistas consideram o Outro o seu contrário. Se eles representam o bem, obviamente o outro personifica o mal; se eles representam a esquerda, logo o mal é a direita. Os comunistas desprezam uma moral que, via de regra, possui valores absolutos. Para eles a moral, assim como as leis, só possui valor se servir a seus interesses. A partir de concepções nefastas e práticas abomináveis é que os comunistas usurpam o poder a fim de moldar a realidade às suas ideopatias.

EM VEZ DE HARMONIA, DIVISÃO

Como Xi Jinping, a exemplo dos herdeiros ideológicos de Marx, pretende expandir sua visão totalitária no mundo? Pelo visto, seguindo à risca o fundador do PCCh. Mao Tsé-tung desenvolveu sua dialética a partir da inversão de muitas crenças religiosas enraizadas na tradição oriental. Por exemplo: ele adequou à sua dialética o pensamento taoísta baseado nos princípios yin-yang, que apresenta dois aspectos opostos de um elemento. Nessa tradição milenar os opostos são vistos como complementares e interdependentes (ou harmônicos), de modo que dois podem ser tornar um. Porém, o pai do PCCh em “Obras Selecionadas de Mao Tsé-tung”, dialeticamente descreveu esse princípio como duas forças opostas, em constante conflito mútuo, em que “um se torna dois, dois se tornam quatro”. Portanto, não se espante se na visão do líder Xi Jinping e todo o PCCh “quatro se tornarem oito”. Isto é, em vez de harmonia, divisão.

ISSO NÃO É UMA IRONIA

E como o mundo se encontra atualmente em meio a essa pandemia do "vírus chinês"? Dividido. A cada situação nova, em vez de congregar, juntar mais pessoas em torno de um bem comum, o que se vê são novas divisões. Por esta razão, qualquer proposta que partir da direita, a dialética maoísta buscará dividi-la em duas ou mais partes conflitantes. Não se iluda com o fato de que vivemos numa democracia, pois esta ideia foi divida em mil partes. Não se iluda com os humanistas de plantão, pois a dialética maoísta também os dividiu. Não se iluda com os comunistas, pois eles, embora pareçam divididos por fora, estão intactos por dentro. Esse é o negócio da  China. 


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