A MÍDIA E O PODER PELO PODER - OLHAR CONSERVADOR

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

A MÍDIA E O PODER PELO PODER

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Por Delmo Fonseca




O diplomata americano Henry Kissinger dispensa apresentação, embora seja ponto pacífico o fato deste ser um dos responsáveis por moldar o que entendemos hoje como geopolítica. Kissinger costuma afirmar que “o poder é o afrodisíaco mais forte”. É esse “afrodisíaco” que, via de regra, subjaz uma ordem global ou uma administração local. Termos como “poder de sedução”, “poder de barganha”, “poder político” ou “poder de polícia” se associam à ideia de que um grau maior de liberdade é conferido a quem possui mais força. E a antiga a máxima de que in eo quod plus est semper inest et minus (quem pode o mais, pode o menos) demonstra isso. Se alguém consegue carregar um fardo de cem quilos, obviamente fará o mesmo com um de trinta quilos.



O MONOPÓLIO DO DISCURSO


 Mas, em se tratando de “poder de persuasão”, quem detém tal força? A questão se impõe devido à guerra de narrativas em curso, estando a sociedade sob um intenso fogo cruzado entre progressistas (liberais e esquerdistas) e conservadores. Ao colocar em prática as ideias de que “os fins justificam os meios” e “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, o campo progressista também demonstra sua crença de que na guerra vale tudo, a começar pela “morte” da verdade. Ao crer que possuem mais força, os progressistas também se sentem mais livres para falar o que quiserem e, ao mesmo tempo, silenciar seus opositores a qualquer momento.


O QUARTO PODER


 A batalha que se trava hoje é apenas um dos desdobramentos do conflito iniciado na época da Revolução Francesa. À força capaz de persuadir as massas deu-se o nome de “Quarto Poder”, uma denominação alusiva aos três poderes do Estado Democrático de Direito. Inegavelmente, os meios de comunicação em massa possuem uma força capaz de desestabilizar os demais poderes, daí o tratamento especial aos ditos “formadores de opinião”. A mídia - outro nome para “Quarto Poder”-, sempre colocou a opinião desses formadores, evidentemente progressistas, acima da “massa ignara”, de modo que se convencionou chamar de “opinião pública” a reação que os meios de comunicação atribuem ao senso comum desse povo. A massa ignara, desprovida de uma visão crítica, segue os ditames progressistas a ponto de defendê-los. Há quem se deleite com novelas, programas de auditório e reality shows; há também quem se ache bem informado porque assistiu aos telejornais.


O PODER DAS REDES SOCIAIS


No entanto, com o advento da internet muita coisa mudou, pois os conservadores viram nas redes sociais a grande oportunidade de mostrar que a genuína opinião pública é aquela que emana do povo. Tendo em vista essa concorrência inesperada, a imprensa tradicional anteviu o fim de sua posição como única mídia, único meio de comunicação, o que explica sua aliança com setores progressistas consolidados nos três poderes. Juntos, passaram a perseguir as vozes conservadoras que bradam contra as doidivanas revolucionárias que pretendem virar o mundo pelo avesso. Por meio das redes sociais os conservadores desmascaram os intelectuais desonestos, cobram coerência dos políticos, identificam notícias falsas, formam grupos de debates, programam protestos etc. Nada disso era possível quando se tinha apenas a mídia convencional. Como consequência nefasta, governos derramavam rios de dinheiro em verbas publicitárias, corruptos eram chantageados e protegidos. Em suma, o Quarto Poder se assemelha a um moribundo com seus dias contados.


O MEIO É A MENSAGEM


O que a mídia convencional não quer entender, embora advertências não faltem, é que as redes sociais não são apenas um meio de comunicação. As redes sociais são a concretização do que fora apregoado por Marshall McLuhan, filósofo canadense, para quem "o meio é a mensagem". Ou seja, o meio não é um mero canal de transmissão de conteúdo, é também conteúdo, pois estimula a experiência sensorial, de modo que um sentido que se associa a outro sentido. As redes sociais produzem sinestesia, ao contrário dos meios convencionais em que reina a passividade. Os profissionais mais atentos e intelectualmente honestos se deram conta dessa mudança e buscam se adaptar ao novo paradigma da comunicação, mas estes são minoria. Há uma casta de jornalistas que ainda se veem com poderes para influenciar a opinião pública, julgam lidar com a antiga e imutável massa ignara.


A VERDADEIRA RESISTÊNCIA


Ainda que a mídia convencional continue a requerer o monopólio da narrativa, são as redes sociais que legitimam tais narrativas com a possibilidade de apresentar o contraditório. Fala-se tanto em valores democráticos, porém muitos ignoram o fato de que numa democracia séria o “poder emana do povo”. O que se vê no Brasil, por exemplo, é que o povo, conservador em sua maioria,  está se dando conta da força que possui e por isso pauta a mídia em vez de ter sua agenda pautada por ela.  O filósofo Blaise Pascal  em suas “Meditações”, diz que “não sendo possível fazer-se com que aquilo que é justo seja forte, faz-se com que o que é forte seja justo”. O desafio que o brasileiro conservador tem de agora em diante é lutar para que “aquilo que é justo seja forte”. E o que é justo numa sociedade democrática? A defesa da vida desde a concepção, as liberdades individuais (pensamento, expressão, propriedade, culto e ir-e-vir) e o direito natural à autodefesa. A mídia busca esses valores? De forma alguma, pois seus ideólogos esquerdistas não suportam a realidade como ela é, mas para implementar a revolução que também desejam é preciso muita força, muito poder. É por isso que eles, com a anuência dos liberais, não medem esforços para assassinar reputações, fraudar narrativas,   vilipendiar símbolos sagrados, violar privacidades e instalar o caos. O poder não faz bem a eles, porém eles não vivem sem o poder.  

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