A HONESTIDADE INTELECTUAL EM VERTIGEM - OLHAR CONSERVADOR

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

A HONESTIDADE INTELECTUAL EM VERTIGEM

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por Delmo Fonseca


A engenharia social é um fenômeno antigo. Ainda que num passado longínquo seus executores a tenham nomeado de outra maneira, o que importa saber é que historicamente sempre se buscou o desenvolvimento de iniciativas que pudessem influenciar atitudes e comportamentos sociais em larga escala, tanto por parte de líderes políticos quanto por grupos organizados. Nesse sentido, pensa-se numa interface entre a ciência e a política, sendo esta um instrumento de poder. Em outras palavras, engenharia social é apenas um nome pomposo para as tantas manipulações efetuadas pelos poderosos deste mundo. E a quantas anda as atividades dos engenheiros sociais do nosso tempo? A todo vapor, dirão os entusiastas do progressismo.

Os engenheiros sociais há muito declararam guerra aos conservadores, e nas palavras do ex-senador americano Hiram Johnson, “numa guerra, a primeira vítima é a verdade”. Decerto o contexto desta afirmação fora a I Guerra Mundial, porém serve de metáfora para a guerra travada no campo da cultura. As visões díspares se acentuam menos sobre a guerra do que a verdade, pois esta é o alvo da batalha, por isso os engenheiros sociais negam, escondem, distorcem e até mesmo sequestram seu significado real. Em termos éticos, a verdade se assenta sobre um sistema de valores cultivados por uma sociedade. Porém esses valores se coadunam, harmonizam-se com a natureza das coisas. A verdade não nega a natureza, antes a valoriza. E os avanços alcançados são sempre a partir desta valorização.

No entanto o que se observa é que há uma imposição do cultural sobre o natural, isto é, os engenheiros sociais não se cansam de buscar uma maneira de empurrar o progressismo goela abaixo de toda a sociedade. E de que forma têm ocorrido tais imposições? Por meio da manipulação da linguagem. Se num determinado período histórico a linguagem foi compreendida como um elemento estrutural até mesmo do inconsciente humano, na presente era se caracteriza por suas possibilidades fluidas. O que até então se mostrava sólido e sobre essa solidez se podia construir um conhecimento duradouro, tornou-se liquefeito. Zygmunt Bauman, que expôs magistralmente esse fenômeno da fluidez na modernidade, em sua obra “Medo líquido” aponta para o fato de que nesse contexto “a palavra desempenha o papel de agente contaminador”. Uma palavra líquida deixa de ser lastro, perde seu caráter essencial e, por sua fluidez, torna-se adequável a quaisquer circunstâncias.

Nesse diapasão surgem os oportunistas e desonestos intelectuais, para quem a verdade é sempre relativa, produto de um constructo cultural que segue um incessante progresso. Para estes, distorcer ou negar a verdade é apenas uma questão de ajuste no discurso, não há implicações éticas e morais porque não existem valores sólidos. Com isso, usam a palavra distorcida para contaminar a opinião pública. É o caso de um contingente de jornalistas e acadêmicos que se prestam apenas a desinformar e “plantar” notícias falsas. Dado esse malabarismo linguístico, o valor de uma palavra está relacionado à própria conveniência do falso informante ou a do seu grupo ideológico. No campo político, por exemplo, se os progressistas estão no poder há democracia, caso contrário o que impera é o fascismo; no cultural, nega-se até mesmo postulados científicos para a consolidação de uma narrativa antinatural, de modo que nem os números escapam (vide discussão em torno do binarismo).

Em razão de tudo o que a engenharia social pode e deseja fazer, presume-se que a verdade permanecerá refém por muito mais tempo, pois os pés dos que correm para o abismo estão cada mais velozes. Por questão de conveniência aumentará a desinformação e a distorção dos fatos, pois cada vez mais importará somente a narrativa. A liberdade de expressão será criminalizada a fim de ocultar a multiplicidade de vozes, os honestos intelectuais sentirão vertigens e seus detratores se regozijarão. Quem sobreviverá à era da pós-verdade?








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