A BLASFÊMIA EM RITMO DE SAMBA - OLHAR CONSERVADOR

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A BLASFÊMIA EM RITMO DE SAMBA





por Delmo Fonseca

A visão de mundo de um povo passa por seus valores culturais e morais. Para alterar essa visão basta distorcer ou impor novos valores. Em se tratando de cultura brasileira, um dos traços mais marcantes é seu “espírito” festivo. Tornou-se lugar comum dizer que no Brasil “tudo acaba em samba”, o que de certa forma apenas atualiza o que já se dizia na época colonial. Nas palavras do padre José de Anchieta, “[nesta terra] tudo se leva em festas, cantar e folgar”. Outra constatação que se tem por estas plagas é de que o ano só se inicia de fato “depois” do carnaval.  Para o antropólogo Roberto Da Matta (in “Carnavais, malandros e heróis – para uma sociologia do dilema brasileiro”), esta festividade se constitui como um “rito de passagem”, o que em parte explica o comportamento de um “povo que pouco se organiza espontaneamente para reclamar ou reivindicar, mas organizado para brincar”.  Da Matta também lembra que “brincar significa literalmente ‘colocar brincos’, isto é, unir-se, suspender as fronteiras que individualizam e compartimentalizam grupos, categorias e pessoas”. Se de um lado o carnaval é visto como um “tempo de brincar”, daí a justificativa para o uso de fantasias; de outro a pergunta que se impõe é: há limites para essa brincadeira?

No ritmo do politicamente correto os foliões estão sendo orientados a absterem-se de qualquer fantasia que fira a suscetibilidade de grupos identitários como índios, negros, ciganos, trans etc. Ao mesmo tempo, todo apoio é dado a quem pretende vilipendiar os símbolos cristãos. Toma-se como exemplo o enredo da escola de samba Mangueira, cujo tema é A Verdade Vos fará Livre. À guisa de paródia do verso bíblico em que Jesus diz “... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32), o carnavalesco Leandro Vieira decidiu “brincar” e “politizar” a Palavra de Deus: “O Cristo histórico que A Verdade Vos fará Livre leva para o carnaval é aquele que nasceu pobre, viveu ao lado dos menos favorecidos e condenou o acúmulo de riqueza. O mesmo que se insurgiu contra a hipocrisia dos líderes religiosos do seu tempo e colocou-se contra a opressão do Estado. A liderança pacifista, que amou de forma irrestrita, sem preconceitos ou discursos de ódio, e por isso foi condenado, torturado e morto”, afirmou ao jornal O Globo.

Em que consiste esse tipo de discurso? Na falácia da tal “resistência” dos oprimidos contra seus opressores. A partir dessa ideia beligerante os progressistas justificam cada uma de suas incongruências, e a blasfêmia é apenas uma das táticas de enfrentamento. Para um povo tido como “brincalhão”, como é o caso do brasileiro, tudo acaba em samba, o que é lamentável. Certamente os progressistas nada sabem das Escrituras, pois também refletiriam nestas palavras que o apóstolo Paulo falou com toda a seriedade e não em tom de brincadeira: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6.7).






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