OU CRISTO OU MARX, SENHORES! - OLHAR CONSERVADOR

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

OU CRISTO OU MARX, SENHORES!


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por Delmo Fonseca

Tristes tempos em que as narrativas se sobrepõem aos fatos. Primeiramente vamos aos fatos, depois às narrativas. A Bolívia, depois de 13 anos, se libertou da tirania do ex-presidente Evo Morales, que pretendia se eternizar no poder. A tentativa fraudulenta de vencer as últimas eleições apenas quis repetir o que acontecera em 2016, ocasião do plebiscito em que os bolivianos foram convocados para saber se queriam que Morales buscasse seu quarto mandato seguido. O resultado foi frustrante para o socialista, pois a maioria votou contra.

Desta vez, percebendo que seus apoiadores lhe viraram as costas, Morales buscou uma saída honrosa anunciando sua renúncia e em seguida foi se asilar no México. Outro fato importante diz respeito ao líder da oposição, Luís Fernando Camacho, que ao adentrar o palácio presidencial,  fez questão de colocar  uma Bíblia sobre a bandeira nacional e dizer que ali não era mais o lugar da deusa Pachamama, referência espiritual dos povos indígenas dos Andes, também conhecida como “Mãe Natureza”.   Da mesma forma, a nova presidente Jeanine Áñez, tão logo assumiu o cargo disse que a “Bíblia voltava ao Palácio".

E quanto às narrativas? Não demorou muito e a velha cantilena do “golpe” ressurgiu. E não parou por aí. Uma parte significativa de acadêmicos passou a exercer a famigerada desonestidade intelectual, além da mídia operar sua escabrosa tática de desinformação, qual seja, a de que os evangélicos bolivianos haviam arquitetado o tal golpe contra o caudilho cocaleiro Evo Morales.  Esta narrativa passou a ser difundida nas redes sociais de modo escancarado, a exemplo deste comentário de Pedro Aguiar,  professor do Instituto de Arte e Comunicação Social da UFF: “Claro que prefiro a paz, mas, neste contexto concreto na Bolívia, torço ferrenhamente para que forças da resistência peguem em armas e matem a tiros os fascistas e evangélicos que tentam destruir o país. Fascistas não têm direito a vida [sic]”.

Se por um lado, num flagrante discurso de ódio - prática da qual se acusa os conservadores-, nota-se o quanto os esquerdistas são perversos; por outro, espanta-se com pastores que também defendem o indefensável. É o caso do Bispo Hermes C. Fernandes, que no seu Facebook escreveu: “Lamento profundamente o envolvimento de igrejas evangélicas brasileiras no golpe de estado promovido na Bolívia e que culminou na renúncia de seu presidente democraticamente eleito Evo Morales, primeiro presidente indígena de um país latino-americano”. É lamentável saber que um líder político capaz de alterar o código penal de seu país com o objetivo de criminalizar com penas de 7 a 12 anos de prisão aquele que for apanhado evangelizando, consistindo num verdadeiro atentado à liberdade religiosa, ainda possuir quem o defenda apenas pelo fato de ser um esquerdista.

Não há qualquer convergência entre a cruz, a foice e o martelo. Ou Cristo ou Marx, ou Cristo ou Pachamama. Certamente os bolivianos terão a grande chance de recomeçar, o que nos leva agradecer a Deus por nossos irmãos que nesse ínterim clamaram por libertação, pois o verdadeiro golpe consiste em negar ao cristão seu inalienável direito de lutar por uma vida justa junto a uma nação cujo Deus é o Senhor.






Um comentário:

  1. O texto é aparentemente um discurso de quem concorda com a evolução, mas ao mesmo tempo chá a guerra para vencer os fascistas e evangélicos, o que deve prevalecer inesuravelvente é a vontade soberana do povo, que anseia por uma vida de paz, alegria e prosperidade. A vontade do povo deve ser ouvida primordialmente.

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